Papo de Especialista

Meu filho não quer comer, e agora?

Para a maioria dos pais, a introdução alimentar é um grande desafio. Vemos muitos por aí que desistem na segunda vez que a criança diz não a algum tipo de alimento e ela passa a não ter mais contato nenhum. Um hábito não se faz de um dia para o outro. A criança tem que ser apresentada diversas vezes ao alimento. Isso não quer dizer que devemos forçá-la, pois pode gerar problemas futuros, como o desenvolvimento de distúrbios alimentares, que nada mais é que a seletividade e a neofobia alimentar.

A maioria das crianças seletivas se manifestam com uma recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento. De modo geral, passa a não gostar da alimentação. Costuma acontecer em torno de 2-3 anos, onde o interesse pela comida diminui e o ritmo de crescimento também. Muitas vezes é apenas transitório, porém nas condições familiares e ambientais não favoráveis o quadro pode acentuar e durar mais.

As estratégias que os pais utilizam na hora da refeição é importantíssimo no comportamento alimentar infantil. A adequada introdução dos novos alimentos no primeiro ano de vida e a disponibilização de alimentos saudáveis em ambiente agradável permite à criança desenvolver preferências alimentares, responsáveis pela determinação do seu hábito alimentar.

Os pais influenciam as preferências alimentares das crianças principalmente de três maneiras:

1) Determinando o ambiente alimentar, isto é, sendo responsáveis pela escolha, compra, disponibilidade e o acesso aos alimentos;

2)Servindo como modelo para os filhos em relação às preferências, ao consumo alimentar e aos comportamentos alimentares, como os horários e locais das refeições, os talheres usados, a velocidade e compulsividade ao comer etc.

3) Usando estratégias para incentivar ou controlar o consumo alimentar, fazendo com que as crianças aceitem novos alimentos em quantidades adequadas.

As preferências alimentares também estão vinculadas ao sabor transmitido pelo leite materno. Além do sabor variar de acordo com a composição em macronutrientes, o leite produzido possui o sabor residual dos diferentes alimentos consumidos pela mãe. Então, se a mãe apresentar uma dieta com alimentos saudáveis, o leite materno possibilita familiaridade com estes alimentos.

É muito importante ser o modelo para o seu filho, dar o exemplo! Falar sobre a importância da alimentação saudável, fazer com que ele participe desde a compra até a preparação das refeições. E não dar substitutos! Os mais comuns são as mamadeiras enriquecidas com algum suplemento, sucos de caixinha, leite com achocolatado e iogurtes.

Cada caso de seletividade tem suas peculiaridades, requer orientação individualizada, segundo as características específicas da criança, da família e do ambiente.

Muita paciência pais, mas não desistam!

Por Camila Garcia
Nutricionista
http://www.instagram.com/nutri.infantil

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