Papo de Especialista

Intoxicação por medicamentos em crianças

intoxica

Olá mamães! Estava lendo uma matéria na revista Crescer sobre novas regras para a dosagem de medicamentos para as crianças, estas estipuladas pela Academia Americana de Pediatria (AAP), com a  intenção de reduzir erros relacionados a administração de medicamentos para essa população. Por ser mãe e farmacêutica, é um assunto que, definitivamente,  muito me interessa. Portanto, sempre que tenho oportunidade, assisto a palestras que abordam o tema.

Uma pesquisa baseada na análise de registros do National Poison Database System, um sistema que armazena dados referentes a casos de envenenamento nos Estados Unidos, realizada de 2002 a 2012, revelou que a cada 8 minutos uma criança é medicada de maneira errada. Durante o período, foram contabilizadas 200 mil situações em que houve administração equivocada de medicamentos, 30% envolvendo crianças menores de seis anos e, destes, 25% as crianças eram menores de um ano. Infelizmente, 25 ocorrências resultaram em óbitos. Perto do número de situações contabilizadas, 25 é um número pequeno se analisarmos friamente. No entanto, estes 25 óbitos poderiam ter sido evitados.

Aproximadamente 82% dos erros contabilizados no estudo se referem a medicamentos na forma farmacêutica líquida (xaropes, suspensões, soluções), o que pode ser explicado pela utilização de medidas caseiras, por exemplo, como colher de sopa ou de chá para mensurar a quantidade do medicamento a ser administrado. O adulto ou cuidador pode fazer confusão nesta hora, podendo administrar uma dosagem maior ou menor. O ideal é a prescrição em mg.

Outro fato que pode contribuir para a administração da dose equivocada, por exemplo, é o que ocorre com os antibióticos, pois o pó precisa ser diluído com água ou com o diluente que acompanha o mesmo. Este diluente precisa respeitar a faixa que marca a embalagem, caso contrário, a dose do medicamento por ml estará equivocada. Lembrando que a dose a ser administrada depende da idade e peso da criança.

No Brasil, dados obtidos pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX, referentes ao período de 2003 a 2005, apontam as crianças menores de cinco anos como as maiores vítimas dos casos de intoxicação por medicamentos e correspondem a 31,8%. Em menores de um ano, os medicamentos respondem por 60% das intoxicações.

O fato é que, por trás de tantos erros, está a falta de informação. Não digo que seja regra, mas a maioria dos profissionais não orienta os pais ou cuidadores da forma adequada. Falo por experiência própria. Todas as vezes que fui ao pronto socorro com o Victinho, os profissionais que me atenderam apenas mostraram a receita e leram o que estava escrito. Mas nenhum deles me disse em alguns dos atendimentos que o antibiótico deveria ser diluído ou que a claritromicina, por exemplo, não deveria ser armazenada em temperatura ambiente após a reconstituição, e sim, sob refrigeração.

Por isto, é importante ler a bula antes de administrar qualquer medicamento, além de entrar em contato com o pediatra da criança, nos casos em que o medicamento foi prescrito pelo médico do pronto atendimento. Já aconteceu comigo, duas vezes, de levar o Vi ao pronto atendimento de um hospital particular em São Paulo e, no momento em que revisei a receita, percebi que a dose estava incorreta. Em uma das vezes o medicamento prescrito era um antibiótico. Fico imaginando que, infelizmente, tal fato não aconteça apenas comigo, mas e os outros pais, será que se atentam a dose, olham a bula? Ou conversam com o pediatra da criança? Por isto considero importante confiar no pediatra que acompanha a criança e ter disponível o telefone celular, para que entre em contato em caso de dúvidas. Não ligo por qualquer motivo, mas após passar em consulta com um plantonista cuja anamnese não dura mais que 5 minutos, considero importante a opinião dela.

Para conhecimento, as novas recomendações da AAP constituem:

– Adotar uma linguagem padrão utilizando mL como a única abreviatura apropriada para mililitro. Medicamentos líquidos devem ser dosados com quantidades arredondadas, como 0,1 , 0,5 , ou 1 mL;

– Indicar claramente, no rótulo, a periodicidade das doses. Expressões em linguagem comum como “uso diário” devem ser usadas no lugar de abreviaturas médicas como “qd”  (do latim, quaque die, uma vez por dia) – o que poderia ser interpretado como “qid” (no passado, esta era uma forma comum adotada pelos médicos para descrever dosagem quatro vezes ao dia);

– O pediatra deve revisar as doses, em mL, com as famílias, no momento em que são prescritas;

– Dispositivos de dosagem não devem ter marcações extras, que podem ser confusas; eles também não devem ser significativamente maiores do que a quantidade recomendada no rótulo, para evitar erros;

– Os fabricantes devem eliminar rótulos, instruções de dosagem e dispositivos que contenham unidades fora do sistema métrico.

 E vocês, mamães, tiveram alguma experiência como a minha? Ou conhecem alguém que passou por problema parecido? Considero falhas graves e, se eu não tivesse prestado atenção, com certeza o Victinho teria administrado uma dose superior a indicada para sua idade e peso. O que eu fiz? Nas duas vezes comuniquei as equipes no intuito de orientar. Claro que meus apontamentos não foram bem aceitos no momento porque o ego fala mais alto, mas tenho certeza que, depois, repensaram no assunto.

Todo cuidado é pouco, mamães! Leiam sempre a bula e não pratiquem a automedicação! Beijos

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