Papo Materno

Como falar sobre perdas com os pequenos?

Para a maioria das pessoas falar sobre perdas não é uma tarefa fácil.  Mas faz-se necessário, já que as perdas acontecem todos os dias na vida de uma pessoa e, quanto antes entrar em contato com ela e aprender a lidar com a situação, melhor.

A perda não necessariamente se refere à morte. Pode ser a mudança de uma casa, do bairro ou da escolinha, dos amiguinhos que lá tinha, pode estar relacionada a um objeto, a morte de um bichinho de estimação ou de um ente querido.  No entanto, quando relacionada à morte fica ainda mais difícil. Ficamos tentados a não contar a criança para tentar poupá-la, mas o fato é que nós adultos não sabemos lidar com o tema e, por isso, tentamos evitá-lo.

As crianças são sensíveis e percebem a tristeza dos familiares. Por isso esconder de uma criança a morte de uma pessoa próxima, por exemplo, pode ser pior para ela. A morte faz parte do processo natural e integrante da vida, sendo importante para o crescimento pessoal.  No entanto, para que seja parte de um amadurecimento pessoal, é preciso vivenciar o luto sendo, o tempo, a compreensão e o acolhimento, essenciais para tal.

O processo de luto é individual e vai depender, principalmente, de como as pessoas ao seu redor reagem e abordam o assunto com a criança. Muitas destas podem sofrer alterações comportamentais após a morte de uma pessoa próxima, sendo, a raiva, uma reação esperada que se manifesta por meio de irritação, pesadelos, medos ou até agressão a familiares.

O luto é um processo! Por isto é de extrema importância que haja espaço para que a criança expresse seus sentimentos, o que pode ser feito através de desenhos, por exemplo. Converse com seu filho, estimule-o a expressar o que sente e não tenha medo de sofrer junto com ele. Isto propicia um ambiente de conforto e segurança, além disso, faz com que a criança não se sinta sozinha diante de todo este processo.

Quando fiquei sabendo que a gravidez havia sido espontaneamente interrompida, ainda no comecinho, precisei contar para o Vi que, até então, estava entusiasmadíssimo com a novidade. Afinal, pedia um irmãozinho há mais de 1 ano.

Não passou pela minha cabeça esconder dele ou mentir. Nunca fui à favor de dizer que a pessoa viajou ou que virou uma estrelinha, por exemplo. Acredito que fantasiar sobre o assunto atrapalha ainda mais todo o processo.

Bia Vi

Nós já havíamos conversado sobre bebês e como crescem na barriga da mamãe. Então, aproveite essa conversa e contei a verdade, porém de uma maneira simples para que ele entendesse. Deixei um espaço para que ele falasse sobre o assunto e fui respondendo Às perguntas no seu ritmo. Depois da nossa conversa, sugeri que ele fizesse um desenho sobre isso. Compramos um caderno de desenhos para ele e, desde a semana passada, estávamos desenhando e pintando no caderno. Então usei desta ferramenta para saber o que ele havia compreendido sobre o assunto e saber como ele estava se sentindo à respeito. E o desenho me surpreendeu! Perguntei como ele estava se sentindo e ele respondeu que estava muito triste. Acolhi meu pequeno e disse que também estava triste. E naquele momento isto bastou!

O modo de encarar todo este processo depende muito da cultura e religião da família, embora seja um assunto difícil de ser abordado seja lá qual for a sua. Mas é preciso seguir adiante, afinal, a vida não para. Cada um tem seu tempo e é importante respeitá-lo. No dia seguinte não mandei ele para a escola porque ia ficar em casa e achei que pudesse ser bom para ambos ficarmos juntos. Ele ainda disse que estava triste, conversamos, rezamos e ficou tudo bem. Nos dias seguintes foi para a escolinha, um dia normal, e acho que fez muito bem encontrar os amiguinhos, brincar. Enfim, a manha daqueles primeiros dias passou. Claro que tudo isto é muito recente e pode ser que ainda experimente algum sentimento, mas acredito que contar para ele a verdade e dar espaço para se expressar, de ter seu sentimento compartilhado, ajudou muito neste processo, pois apesar de pouquíssimo tempo, o vínculo estava lá.

Mamães, se alguém tiver alguma história para compartilhar ou alguma dúvida sobre algo que eu tenha escrito aqui, sinta-se a vontade para comentar. Bjinhos!

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