Papo Materno

Alergia alimentar: o que é importante saber?

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Quem é mais próximo ou me acompanha pelo instagram sabe que, neste final de semana, precisei levar o Victinho ao pronto socorro. Desta vez a causa foi uma alergia alimentar que ele apresentou após comer salsicha. Não costumo fazer aqui em casa, mas fomos a uma festinha no sábado à noite e ele acabou comendo. Algumas horas após a ingestão do alimento apresentava manchas vermelhas por todo o corpo. Logo suspeitei de alergia alimentar e, então, mediquei-o com um antialérgico. No entanto, não houve melhora do quadro. Sabendo que uma reação grave pode resultar em queda de pressão e falta de ar, como o Victinho já possui um histórico de alergia, mal consegui dormir durante a noite. Mas estava tudo bem! Ele não apresentava nenhum sinal de desconforto ou chiado no peito, apenas o narizinho entupido, além das manchas, que felizmente não haviam progredido. Então mediquei-o novamente com o antialérgico (conforme a posologia indicada) e, mais uma vez, não obtive sucesso. Foi então que decidi leva-lo ao pronto socorro. Lá tive a confirmação de alergia alimentar que só melhorou com a introdução de outro antialérgico e um corticosteroide.

A alergia alimentar é uma reposta exacerbada do sistema imunológico a algum componente presente no alimento sendo, o leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim e castanhas, alguns dos agentes mais comuns de causar alergia alimentar em bebês e crianças pequenas. Corantes artificiais também podem provocar alergia.

Baseando-se na classificação de Gell & Coombs, as manifestações clínicas podem ser de três tipos:

  1. Mediadas por IgE ou imediatas, que ocorrem dentro de minutos até 2 horas após a ingestão do alimento, representam a forma mais comum de alergia alimentar.
  2. Não mediadas por IgE ou tardias, que surgem horas após ingerir o alimento.
  3. Mistas, cujas manifestações são dermatite atópica, esofagite eosinofílica, gastrite e enterocolite eosinofílicas e asma.

Quais são os sintomas da alergia alimentar?

Nas reações imediatas, as manifestações incluem  urticária, principalmente em torno da boca, dos olhos e do nariz, podendo se espalhar pelo corpo. Além de lábios, olhos e rosto inchados, nariz escorrendo ou entupido, espirros, olhos lacrimejando, coceira na boca e irritação na garganta, náusea, vômito e diarreia.

Quando a reação é mais grave, a criança pode apresentar chiado no peito, inchaço na língua e na garganta, palidez e queda súbita na pressão arterial, conjunto de sintomas denominado choque anafilático. Trata-se de uma emergência, pois coloca a vida da criança em risco, devendo, os pais ou responsável, levar a criança imediatamente ao hospital.

A alergia alimentar é responsável por 50% dos casos de anafilaxia, com hipotensão arterial, arritmia cardíaca e comprometimento respiratório. Quando associada ao exercício ocorre com a realização do mesmo, 2 a 4 horas após a ingestão do alimento causal. Durante o repouso, o mesmo alimento não causa nenhum sintoma.

Quando a reação é tardia, os sintomas mais comuns são: refluxo gastroesofágico, cólica, diarreia, prisão de ventre, presença de sangue ou muco nas fezes e dermatite atópica.

Algumas definições:

A urticária é caracterizada por eritema (coloração avermelhada da pele), pápulas ( lesão sólida da pele, elevada, com menos de 1 cm de diâmetro) e prurido cutâneos.

Dermatite atópica é um processo inflamatório crônico da pele caracterizado por lesões avermelhadas, que coçam muito e, às vezes, descamam. Podem estar associadas a outras atopias como bronquite, asma e rinite e, geralmente se localizam na face das crianças pequenas e nas dobras do joelho e cotovelo das crianças maiores e dos adultos.

Como se diagnostica a alergia alimentar?

O médico diagnostica a alergia com base, principalmente, na história clínica, portanto, atente-se a informações como: Qual alimento é suspeito de provocar a reação, qual o intervalo entre a ingestão do alimento e o surgimento dos sintomas, quais foram os sintomas,  eles ocorrem sempre que o alimento é ingerido, há melhora ou desaparecimento dos sintomas após a suspensão do alimento suspeito, ou há ressurgimento dos sintomas após a reintrodução (acidental ou provocada) do alimento suspeito.

Os exames laboratoriais são complementares e nem sempre são suficientes para fechar o diagnóstico.

Qual o tratamento mais indicado?

O recomendado é excluir totalmente da dieta da criança o alimento causador da alergia.

Caso a criança tenha entrado em contato com o alimento, podem-se utilizar anti-histamínicos para diminuir o prurido da urticária e dermatite atópica, porém eles não são capazes de impedir uma reação a um alimento. O mesmo ocorre com os corticosteroides.

Importante que crianças com histórico de anafilaxia tenham epinefrina auto injetável sempre à disposição.

Espero que não precisem dessas informações, mas é sempre bom conhecer, né? Afinal, informação nunca é demais, ainda mais se tratando da saúde dos nossos pequenos.

Se tiverem alguma história para compartilhar ou alguma dúvida deixem aqui nos comentários. O espaço é para troca de informações mesmo!

Grande beijo e ótima semana!!

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