Papo Materno

Estabilidade emocional: como ajudar meu filho a desenvolvê-la?

Que pai não deseja sucesso e felicidade para seus filhos? Planejamos colocá-los em boas escolas, onde terão bons professores, em atividades extracurriculares como inglês, teatro, futebol, ballet, judô e natação, além de fazermos uma poupança: um plano infalível para nosso desejo se tornar realidade!

Este “empurrãozinho” dos pais contribui para que a criança se desenvolva intelectualmente e descubra seus talentos e preferências, porém, para que possa usufruir de tudo isso, precisa aprender a lidar com os sentimentos. Isso significa que, além de boas notas no boletim, a criança irá precisar de boa dose de jogo de cintura para enfrentar os desafios e alcançar seus objetivos.

Vctinho

A estabilidade emocional, quando trabalhada desde cedo, garante mais aprendizado e felicidade para a criança. Cabe a nós, pais, ajudá-la a desenvolver as competências ou habilidades emocionais para tal. Para auxiliá-los, descrevo abaixo quais são e como podemos ajudar nosso filho a desenvolvê-las.

Autoconfiança

Fale para seu filho de suas qualidades (as dele, tá?!) rs e mostre que você acredita na capacidade dele. No dia a dia, mostre que ele pode contar com seu apoio para realizar tarefas, mesmo as mais simples como escovar os dentes ou calçar o tênis, mas, ao mesmo tempo, dê autonomia para que ele aprenda a fazer sozinho e encontre a sua própria maneira. Quando precisar repreendê-lo, lembre-se de focar no comportamento ruim e não em quem praticou, senão você acabará rotulando a criança, o que a fará acreditar que realmente é daquele jeito.

Coragem

Quem, quando criança, não teve medo do escuro ou do bicho papão? Quando não conhecemos ou entendemos algo é natural e, até esperado, sentirmos medo.

Para ajudar a criança a enfrentar esse e todos os outros “medos” que irão surgir ao decorrer da vida, dê espaço para que ela possa se expressar e entender o que está sentindo. Usar livros e filmes que tratem sobre os “medos” em questão pode ajudar. Segundo Steven Brion-Meisels, educador que trabalha com o tema há mais de 35 anos , a coragem é essencial para que possamos aceitar desafios, ir atrás dos nossos objetivos, aprender coisas novas e defender os nossos valores.

Paciência

Está ai uma habilidade que meu Victinho não domina! rs A titia viajou por 30 dias nas férias e, todos os dias, ele fazia contagem regressiva: “Mamãe, hoje faltam 29 dias para a Tóti voltar!”, “Mamãe, hoje faltam 28 dias para a Tóti voltar”, assim até o dia de fato quando, de minuto em minuto perguntava se a Tóti avia chegado. E assim ele é com todo o resto: com a festa de aniversário do amigo, com a volta às aulas, com o dia do seu aniversário.

Aprender que não temos o poder de controlar tudo o que se passa e que, por isso, é preciso saber esperar, não é fácil nem para nós,  pais, imagine para as crianças. O importante é mostrar para seu filho que para cada coisa tem seu tempo. Situações cotidianas em que cada um precisa esperar a sua vez, pode ajuda-lo, seja uma conversa na mesa do jantar onde a criança precisa esperar a sua vez para falar e ser ouvida, ou um jogo em família, em que precisa esperar a sua vez para jogar.

Persistência

Para Quézia Bombonatto, terapeuta familiar e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, é preciso mostrar para a criança que o fato de não ter obtido sucesso naquele momento, naquela atividade específica, não quer dizer que ela nunca conseguirá vencer o desafio.  Uma criança que está aprendendo a andar,  por exemplo, algumas vezes irá se desequilibrar e cair até conseguir dar seus primeiros passos. Apoiá-la e incentivá-la fará com que ela perceba que, com um  treino e persistência, alcançará seu objetivo.

Tolerância

Temos realidades e comportamento diversos o que nos torna diferentes. Para as crianças significa, muitas vezes, ter contato com realidades e comportamentos que elas nem conhecem. Aprender a aceitar essas diferenças é a base para uma convivência tranquila e harmoniosa com os outros.

Para os pequenos, a forma como nós, pais, agimos, contribui muito para o desenvolvimento da sua tolerância. Isso que dizer que, eles só aprenderão a compreender o outro se nos ver fazendo isso no dia a dia.

Autoconhecimento

Segundo a psicopedagoga Quézia Bombonatto , a criança aprende primeiro a se relacionar consigo mesma e entender o que sente, para depois transferir esse conhecimento para a relação com o outro.

Estimule seu filho a perceber quais as suas preferências, perguntando para ele e pedindo para que explique o porquê.

Controle dos impulsos

Outra habilidade que meu pequeno passou longe, mas que estamos trabalhando com ele! Quando sentamos à mesa para jantar, ele já está pensando em jogar vídeo-game, então tem o hábito de querer comer depressa. Nesse caso, sempre dizemos a ele que deve esperar todos terminarem o jantar para brincar.

Resistência às frustrações

De acordo com a psicóloga Ceres de Araújo dizer não é a maior prova de amor que um pai pode dar. Dessa forma, a criança aprende a lidar com as adversidades e a superar os problemas. Essa capacidade de sobreviver às dificuldades e usá-las como fonte de crescimento e aprendizado denominamos resiliência.Por isso, tentar poupar a criança irá atrapalhá-la nesse processo. Ela precisa ter contato com pequenas impossibilidades ao longo do seu desenvolvimento para, quando adulta, lidar com impossibilidades maiores.

Comunicação

Estimular a comunicação com seu filho é importante para que para que ele aprenda a organizar as ideias e transformá-las em frases de uma forma que outras pessoas possam compreendê-lo. Desde pequeno, quando ainda não sabe falar, o bebê tenta se comunicar através de gestos, e cabe a nós estimulá-lo. Então, quando ele apontar para um objeto, não o entregue prontamente. Estimule o bebê  perguntando o que ele quer, diga o nome do objeto e espere para que ele tente articular alguns sons.

No meu caso sempre pergunto para o Vi como foi o seu dia. Primeiro ele responde que foi tudo bem, então eu continuo perguntando: “O que você aprendeu hoje na escolinha?”, “O que você lanchou?”, “Do que você brincou com seus amiguinhos?”, e dessa forma, ele vai interagindo e contando sobre suas atividades, descobertas e até algumas frustrações, como o dia que a amiguinha disse que não era mais sua namoradinha!

Empatia

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e, somente a partir dos 2 aninhos, é que as crianças conseguem ver as coisas além das suas perspectivas. Para que ela entenda o que outra pessoa está sentindo, ela precisa de ajuda para reconhecer, nomear e expressar suas próprias emoções, assim como as consequências das suas ações. Então, diante de um conflito, você pode ajudá-la perguntando por que  agiu dessa forma, o que pensou e sentiu e incentivando-a a imaginar o que o outro está sentindo também. Procure deixar que ela mesma crie maneiras de resolver a briga.

Compartilhe aqui a sua experiência!

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